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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014


A arrogância segundo os medíocres

Li esse interessante texto da Carmen Guerreiro, dona do blog AnsiaMente , ontem, e super me identifiquei com ele, mas confesso que de forma nada positiva, pois só consegui me enxergar na classe das pessoas que ela criticou...


A arrogância segundo os medíocres



“Adorei o seu sapato”, disse uma amiga para mim certa vez. “Legal, né? Eu comprei em uma feira de artesanato na Colômbia, achei super legal também”, eu respondi, de fato empolgada porque eu também adorava o sapato. Foi o suficiente para causar reticências  quase visíveis nela e no namorado e, se não fosse chato demais, eles teriam dado uma risadinha e rolariam os olhos um para o outro, como quem diz “que metida”. Mas para meia-entendedora que sou, o “ah…” que ela respondeu bastou.

Incrível é que posso afirmar com toda convicção que, se tivesse comprado aquele sapato em um camelô da 25 de março, eu responderia com a mesma empolgação “Legal, né? Achei lá na 25!”. Só que aí sim eu teria uma reação positiva, porque comprar na 25 “pode”.

Experiências como essa fazem com que eu mantenha minhas viagens em 13 países, minha fluência em francês e meus conhecimentos sobre temas do meu interesse (linguística, mitologia, gastronomia etc) praticamente para mim mesma e, em doses homeopáticas, comente entre meu restrito círculo familiar e de amigos (aquele que a gente conta nos dedos das mãos).

Essa censura intelectual me deixa irritada. Isso porque a mediocridade faz com que muitos torçam o nariz para tudo aquilo que não conhecem, mas que socialmente é considerado algo de um nível de cultura e poder aquisitivo superior. E assim você vira um arrogante. Te repudiam pelo simples fato de você mencionar algo que tem uma tarja invisível de “coisa de gente fresca”.

Não importa que ele pague R$ 30 mil em um carro zero, enquanto você dirige um carro de mais 15 anos e viaja durante um mês a cada dois anos para o exterior gastando R$ 5 mil (dinheiro que você, que não quer um carro zero, juntou com o seu trabalho enquanto ele pagava parcelas de mil reais ao mês). Não importa que você conheça uma palavra em outra língua que expressa muito melhor o que você quer falar. Você não pode mencioná-la de jeito nenhum! Mas ele escreve errado o português, troca “c” por “ç”, “s” por “z” e tudo bem.

Não pode falar que não gosta de novela ou de Big Brother, senão você é chato. Não pode fazer referência a livro nenhum, ou falar que foi em um concerto de música clássica, ou você é esnobe. Não ouso sequer mencionar meus amigos estrangeiros, correndo o risco de apedrejamento.

Pagar R$200 em uma aula de francês não pode. Mas pagar mais em uma academia, sem problemas. Se eu como aspargos e queijo brie, sou “chique”. Mas se gasto os mesmos R$ 20 (que compra os dois ingredientes citados) em um lanche do Mc Donald’s, aí tudo bem. Se desembolso R$100 em uma roupa ou acessório que gosto muito, sou uma riquinha consumista. Mas gastar R$100 no salão de cabeleireiro do bairro pra ter alguém refazendo sua chapinha é considerado normal. Gastar de R$30 a R$50 em vinho (seco, ainda por cima) é um absurdo. Mas R$80 em um abadá, ou em cerveja ruim na balada, ou em uma festa open bar… Tranquilo!

Meu ponto é que as pessoas que mais exercem essa censura intelectual têm acesso às mesmas coisas que eu, mas escolhem outro estilo de vida. Que pode ser até mais caro do que o meu, mas que não tem a pecha de coisa de gente arrogante.

O dicionário Aulete define a palavra “arrogância” da seguinte forma:
1. Ação ou resultado de atribui a si mesmo prerrogativa(s), direito(s), qualidade(s) etc.

2. Qualidade de arrogante, de quem se pretende superior ou melhor e o manifesta em atitudes de desprezo aos outros, de empáfia, de insolência etc.

3. Atitude, comportamento prepotente de quem se considera superior em relação aos outros; INSOLÊNCIA: “…e atirou-lhe com arrogância o troco sobre o balcão.” (José de Alencar, A viuvinha)

4. Ação desrespeitosa, que revela empáfia, insolência, desrespeito: Suas arrogâncias ultrapassam todo limite.

Pois bem. Ser arrogante é, então, atribuir-se qualidades que fazem com que você se ache superior aos outros. Mas a grande questão é que em nenhum momento coloco que meus interesses por línguas estrangeiras, viagens, design, gastronomia e cultura alternativa são mais relevantes do que outros. Ou pior: que me fazem alguém melhor que os outros. São os outros que se colocam abaixo de mim por não ter os mesmos interesses, taxar esses interesses de “coisa de grã-fino” (sim, ainda usam esse termo) e achar que vivem em um universo dos “pobres legais”, ainda que tenham o mesmo salário que eu. E o pior é que vivem, mesmo: no universo da pobreza de espírito.

18 comentários:

Madi Muller disse...

Gostei do texto! Tem horas que me coloco na turma dos medíocres q ela citou, e em outras me sinto por cima da carne seca,rsss...

Nívea Cruz disse...

Adorei o texto e me identifiquei com ele....não tenho grana sobrando,mas também não vivo na pindaíba.Ando de ônibus porque preferi comprar a casa própria,não viajo ou vou á baladas nos fins de semana e feriados porque tô economizando pra fazer a viagem dos sonhos...Eu moro no subúrbio e tenho um gosto e levo a vida de maneira diferente e sei que por muitos sou considerada metida e esnobe,por isso me identifiquei....Mas aqui onde moro o que vale é a ostentação....é parcelar em sei lá quantas vezes um carrão,ir pras festas fim de semana e colocar sei lá quantas garrafas de vodka ou whisky na mesa,é usar roupas de gosto duvidoso com logomarcas enormes e pagar o pay per view do BBB,e isso custa muito mais caro do que as coisas que costumo fazer/comprar,mas ainda assim a "metida a rica" sou eu.

Nívea Cruz disse...

Adorei o texto e me identifiquei com ele....não tenho grana sobrando,mas também não vivo na pindaíba.Ando de ônibus porque preferi comprar a casa própria,não viajo ou vou á baladas nos fins de semana e feriados porque tô economizando pra fazer a viagem dos sonhos...Eu moro no subúrbio e tenho um gosto e levo a vida de maneira diferente e sei que por muitos sou considerada metida e esnobe,por isso me identifiquei....Mas aqui onde moro o que vale é a ostentação....é parcelar em sei lá quantas vezes um carrão,ir pras festas fim de semana e colocar sei lá quantas garrafas de vodka ou whisky na mesa,é usar roupas de gosto duvidoso com logomarcas enormes e pagar o pay per view do BBB,e isso custa muito mais caro do que as coisas que costumo fazer/comprar,mas ainda assim a "metida a rica" sou eu.

Anônimo disse...

Então, procure conviver entre pessoas que tem os mesmos interesses e conceitos. Eu sou desse tipo aí "arrogante", dias atrás um parente me disse que eu deveria trocar de carro, por mil reais por mês poderia comprar um carro japonês. Respondi que prefiro gastar os mil reais na educação do meu filho, tô nem aí se ele me acha arrogante. É uma pessoa que não faz parte do meu dia a dia, mas, no meu círculo de amizades, procuro escolher pessoas que pensem mais ou menos como eu.

Anônimo disse...

Ale, que incrivel sua atitude! Gostei da franqueza de se assumir como o "arrogante" da vez.
Aqui no blog mesmo uma vez comentei algo relacionado a experiencia em viagens e fui mega hostilizada, me senti exatamente como na descrição do texto, que, concordo com vc, é bem interessante.
Mas preciso confessar que, por um outro lado, ocupando a mesma posição que a autora, eu tambem sou arrogante, pois apesar do meu conhecimento e das minhas experiencias serem resultado puro e simples do meu esforço e interesse, eu não consigo deixar de pensar que, realmente, menor é aquele que vai em 3 baladas por mes e nunca conheceu a europa... aquele que paga o pay per view e só foi pro nordeste aproveitar o carnaval...
Resumindo, cada um ao seu modo tem a sua forma de arrogancia.

Aline

Renée disse...

Muito bom o texto! Excelente ponto de vista.

Georgea disse...

Li esse texto quando foi escrito. E digo que a autora definiu exatamente o que muitas vezes observo ou sinto na pele. A coisa chega a um ponto em que, para não ser acusada de esnobismo, preciso esconder qualquer coisa que pareça "chique" ou fora do usual. Sapato bonito? Foi presente, promoção, é antigo. É um jogo de equilíbrio e sensibilidade, mas noto que ninguém se preocupa com a minha sensibilidade quando me acusam de algo que não sou.

Anônimo disse...

adorei! concordo totalmente. Não se pode gostar de outras coisas que não as preferências comuns, que te rotulam logo de "arrogante" ou "hipster". Me poupe

Anônimo disse...

kkkkkkkk

pois eu não me incomodo nem um pouco quando o povo me chama de chic.

respondo: sou mesmo! e continuo utilizando meus recursos financeiros e intelectuais com as coisas que me dizem respeito.

quem quiser que role no chão da área vip da buatchy ou vá dar rolezinho com tênis de 800,00 no shopping.

Anônimo disse...

Eu acho que ela está se preocupando demais com a opinião alheia.

Anônimo disse...

Me identifiquei com o texto, e não é dar importância a opinião alheia não, são situações pelas quais alguns de nós passam.
Sempre viajei para a Europa, de mochila nas costas, me hospedando em albergues, lembro de uma colega que dizia, aliás, ela enfatizava pra todo os colegas de trabalho, do setor, que "jamais faria uma viagem de pobre" quando ela pudesse faria uma viagem com conforto. Quando ela aposentou, e tinha muito dinheiro e se preparava pra fazer a viagem "dos sonhos" descobriu que tinha um câncer raro. Triste.
A autora tem razão às vezes, nos sentimos intimidadas de contar das viagens, de mostrar as fotos, atualmente, nem vou mais a Europa, mas viajo sempre pra Boulder, CO, Salt Lake City, UT e Las Vegas, NV e não mais comento com os amigos.
Sinto que há uma espécie de ressentimento, não é inveja não, pois as pessoas tem condições financeiras de viajar, apenas são apegadas ao dinheiro e os seus valores são diferentes dos meus.
Viajar é patrimônio de vida. Viajar não tem preço. Viajar é descansar o karma.

Anônimo disse...

Minha primeira e ultima viajem internacional ( paga c muuuuito esforço ) eu escondi de algumas pessoas. Principalmente no serviço. Nao pensei que houvesse anta gente assim. Fiquei surpresa.

Jogos Vorazes disse...

Texto lindamente escrito, infelizmente as pessoas tem essa mania de pensar pequeno (as vezes me incluo nessa categoria) o que realmente prejudica a maneira como vc vê o próximo e até a si mesmo, se sentido por baixo e inferior, precisamos acabar com esse estigma de vira-lata, de se contentar com o pouco, bem fez a blogueira q saiu do lugar comum e decidiu ampliar seus conhecimentos viajando e aprendendo outro idioma. Não a mal nenhum e vc se aproximar de outras culturas desde q vc não renegue a sua, de gostar de produtos diferenciados, até mesmo pq a qualidade desses produtos é o q realmente importa, enfim a mesquinharia não leva a lugar nenhum então é melhor acabar logo com ela.

Anônimo disse...


Excelente texto em alguns momentos da vida sou arrogante em outros um pobre legal sem preconceitos com as atitudes e culturas de outras pessoas.

Unknown disse...

Amei o texto me identifico com algumas passagens, mas no final ela n se considera arrogante, mas conclui que as pessoas que a taxam assim tem acesso as msm coisas que ela, e tem outro estilo de vida, e as julga "pobre de espírito", mas ai ela estaria sendo arrogante por achar que o estilo de vida dela é melhor hahaha

Kaira disse...

Arrogância, inveja, pobreza, riqueza... Tudo depende do ponto de vista!

Anônimo disse...

Sinto isso na pele. Moro fora ha alguns anos, e qd volto ao Brasil, meus amigos me acham excentrica, pq tomo vinho tal, comi a comida x. E muitas vezes, tento diminuir o quao legal um objeto que possuo, ou uma experiencia que tive eh,..pq ja fui chamada de riquinha algumas vezes. Vou posta esse texto no facebook e cotar seu blog no final. bjss

Anônimo disse...

O bom de tudo é que os arrogantes e os não-arrogantes vão ter um mesmo final: vão adubar a terra. Mas do jeito que a coisa anda, a briguinha de egos ( cada um querendo dizer que seu estilo de vida é o melhor) vai determinar a diferença até na morte: os arrogantes vão para a gaveta e os não-arrogantes vão para a cova. Ou será o contrário????????????????????


Glória

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