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quarta-feira, 8 de janeiro de 2014


Xingamento

Sabe aqueles textos que fazem você refletir, ver a coisa de outro ângulo e ficar viajando por horas, pensando "como eu não pensei nisso antes"? Pois esse, do Gregorio Duvivier (sim, aquele do Porta dos Fundos), me rendeu muitos questionamentos, e por isso resolvi dividi-lo com vocês...




"Xingamento 

Puta, piranha, vadia, vagabunda, quenga, rameira, devassa, rapariga, biscate, piriguete. Quando um homem odeia uma mulher — e quando uma mulher odeia uma mulher também— a culpa é sempre da devassidão sexual. Outro dia um amigo, revoltado com o aumento do IOF, proferiu: "Brother, essa Dilma é uma piranha". Não sou fã da Dilma. Mas fiquei mal. Brother: a Dilma não é uma piranha. A Dilma tem muitos defeitos. Mas certamente nenhum deles diz respeito à sua intensa vida sexual. Não que eu saiba. E mesmo que ela fosse uma piranha. Isso é defeito? O fato dela ter dado pra meio Planalto faria dela uma pessoa pior?

Recentemente anunciaram que uma mulher seria presidenta de uma estatal. Todos os comentários da notícia versavam sobre sua aparência: "Essa eu comeria fácil" ou "Até que não é tão baranga assim". O primeiro comentário sobre uma mulher é sempre esse: feia. Bonita. Gorda. Gostosa. Comeria. Não comeria. Só que ela não perguntou, em momento nenhum, se alguém queria comê-la. Não era isso que estava em julgamento (ou melhor: não deveria ser). Tinham que ensinar na escola: 1. Nem toda mulher está oferecendo o corpo. 2. As que estão não são pessoas piores.

Baranga, tilanga, canhão, dragão, tribufu, jaburu, mocreia. Nenhum dos xingamentos estéticos tem equivalente masculino. Nunca vi ninguém dizendo que o Lula é feio: "O Lula foi um bom presidente, mas no segundo mandato embarangou." Percebam que ele é gordinho, tem nariz adunco e orelhas de abano. Se fosse mulher, tava frito. Mas é homem. Não nasceu pra ser atraente. Nasceu pra mandar. Ele é xingado. Mas de outras coisas.

Filho da puta, filho de rapariga, corno, chifrudo. Até quando a gente quer bater no homem, é na mulher que a gente bate. A maior ofensa que se pode fazer a um homem não é um ataque a ele, mas à mãe — filho da puta- ou à esposa — corno. Nos dois casos, ele sai ileso: calhou de ser filho ou de casar com uma mulher da vida. Hijo de puta, son of a bitch, fils de pute, hurensohn. O xingamento mais universal do mundo é o que diz: sua mãe vende o corpo. 1. Não vende. 2. E se vendesse? E a sua, que vende esquemas de pirâmide? Isso não é pior?

Pobres putas. Pobres filhos da puta. Eles não têm nada a ver com isso. Deixem as putas e suas famílias em paz. Deixem as barangas e os viados em paz. Vamos lembrar (ou pelo menos tentar lembrar) de bater na pessoa em questão: crápula, escroto, mau-caráter, babaca, ladrão, pilantra, machista, corrupto, fascista. A mulher nem sempre tem culpa."

Gregorio Duvivier  



Né?! ;)

9 comentários:

Anônimo disse...

Perfeito, Kaira! Texto muito bom! Beijo!

Anônimo disse...

Exceleeeente reflexão Kaira!
Eu li esse texto ontem, algum amigo compartilhou no facebook e eu me surpereendi com o mesmo pensamento "nossa, nunca olhei por esse angulo".
De fato, as mulheres nem sempre tem culpa, apesar de um modo ou de outro sempre acabar com ela!!!

Rafa disse...

Minha mãe fez um trabalho disso na pós graduação dela. Lembro-me que tinha um trecho no qual ela mencionava a diferença entre "homem público" e "mulher pública".
A conotação para a qual se aplica à mulher pública é sexual; a de homem não.


Como se não existissem mulheres que ingressam em cargos públicos.

Agora pouco, postei num grupo direcionado à profissionais de direito no facebook. Estavam rindo da garota a qual se qualificou como bacharel em direito. Muitas mulheres reclamando que ela, ao invés de usar o cérebro, estava usando os peitos.

Fiz um comentário pendendo pra comédia, no qual dizia: bom, eu uso a inteligência e meus peitos, afinal, em certas situações é melhor usar os peitos (tipo fila pra pegar bebida em balada).

Muitos vieram me criticar. O ridículo é da história é que não posso ter peitos e cérebro. É errado.

Rafa disse...

ps: a garota do BBB.

Anônimo disse...

Muito bom! O mundo precisa de mais respeito, principalmente com as mulheres, que já sofreram e sofrem tanto com isso...

Anônimo disse...

Pois é, já tinha pensando nisso.

Eu só acho engraçado falar tudo isso e trabalhar para o portal kibe loco, portal de humor machista que vive tratando as mulheres de todas esses insultados citados no texto.Eu quero acreditar que todo mundo paga conta e que esta é a verdadeira posição dele. Será?

Anônimo disse...

Excelente! Vou postar no meu blog. Amei o texto! ♥

Anônimo disse...

Sempre penso nisso e sempre que eu uso palavras com vadia ou vagabunda eu uso de um jeito mais irônico com minhas proprias amigas pq nunca acreditei nesses xingamentos idiotas. O que me dá nos nervos é ver mulheres jugando o valor das outras como pessoa de acordo com a roupa q vestem. Tão clichê e tão patético!

pá de cal disse...

...aliás, a piranhuda da Paris Hilton sumiu da mídia!

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