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quarta-feira, 10 de junho de 2015


Retratos - A História de travestis que não se prostituem

Até quis me pronunciar aqui sobre a polêmica da mulher transsexual crucificada na parada gay de SP, mas senti que a minha visão poderia ser distorcida e preferi me abster da dor de cabeça que aconteceria por conta disso. Só quero dizer que se ainda existe o enorme preconceito contra homossexuais, o preconceito multiplica  por mil com os transsexuais e os travestis, já que encontram repúdio até mesmo dentro da própria comunidade gay, e isso foi vivenciado esses dias, onde muitos não entenderam que a pessoa ali crucificada não estava blasfemando, denegrindo ou se comparando com Jesus Cristo. Apenas estava expondo como se sentem essas mulheres que são todo dia violentadas, assassinadas, apedrejadas e deixadas de lado por uma sociedade que só as deixam com uma única opção de trabalho para sobreviver: a prostituição.

E ver que ela foi tão criticada por todos os lados me deixou tão triste, tão decepcionado com as pessoas, Afinal, são essas mesmas pessoas que aplaudem e chamam de lindo, tesão, gostoso quando um Thiago Lacerda, um Luciano Szafir, um Fábio Assunção, um Carmo Dalla Vecchia, um Eriberto Leão, um Murilo Rosa, um Igor Rickli entram em cena como Jesus Cristo no espetáculo "Paixão de Cristo" de Nova Jerusalém. E digo isso porque já escutei tal exaltação acontecendo. 

Então, se  acham que a figura de Cristo foi profanada por conta de uma mulher fazendo alusão ao seu sofrimento na cruz de maneira séria, respeitosa e forte, dentro de uma manifestação com intuito de chamar atenção pela transfobia por qual passa todos os minutos de sua vida aqui na Terra, por favor me definam o que vem a ser a histeria coletiva de mulheres por conta de um galã global fazendo algo parecido num palco e mediante um gordo cachê? É isso que é respeitoso na representação de Jesus?

Os ensinamentos que aprendi sobre as mensagens que Jesus quis passar durante sua permanência no plano terrestre sempre foram de amor ao próximo, compreensão e perdão, nunca de jogar pedras nas outras pessoas. Mas parece que algo foi perdido no meio do caminho e o que vemos/temos hoje em dia é o egoísmo de só olhar para o próprio umbigo e a prática do ódio, apenas do ódio. Tal qual a intolerância da época em que Cristo esteve entre nós. E isso sim, será cobrado das pessoas algum dia.

Abaixo mostro um documentário bastante interessante, intitulado "Retratos", que mostra a vida de 6 travestis pernambucanas, onde elas contam um pouco de sua vida e de como conseguem ser umas das poucas exceções da regra de que todas precisam se prostituir para sobreviver.


Vídeo: Leo Tabosa


"Só não sou mais feliz porque as pessoas atrapalham a vida da gente. Usam Deus para condenar a gente. E Deus não é isso aí que o povo pinta, né?"


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